
Abro a porta e entro.
Dentro encontro todos meus sonhos guardados. Uns velhos, sujos, outros restaurados e novamente guardados. Sonhos acalentados por muita esperança, destruídos pela impaciencia e falta de coragem. Passeio por entre eles, alguns me olham, outros me dão as costas e acredito ter visto uma fortuita lágrima em todos eles. Até arrisco uma luzinha de vontade em poder tirar alguns deles, trazer à luz da esperança e da felicidade que seria vê-los realizados. Sofro sim. Penso como seria bom tê-los todos realizados, que vida seria essa completa, feliz, vivida e não sonhada. Cada sonho tem seu perfil e sentimento porque foi vivido mesmo que sonhado, cada um conta uma história de alegria, amor, desejos. Acaricio cada um deles, renovo suas esperanças de se tornar realidade. Eles não sabem que muito tempo passou e que nem saudade ficou e agora são restos de uma ilusão inviável.
Abro a porta e saio.

